JACQUES BREL

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Página posta em dia em 20.06.2010

 


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CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO

Nesta página as versões das canções de Jacques Brel são recapituladas segundo a origem do intérprete que as cantou.  O conceito de origem que utilizamos não coincide perfeitamente com a nacionalidade, pelo o que decidimos utilizar a classificação  ISO 3166-1 dos países (nomes e códigos de país em francês), que inclui, além dos Estados, certos territórios dotados de uma grande autonomia no quadro político do seu Governo Central. A estes, juntámos, por uma questão de método, a origem “múltipla” no caso de um grupo musical em que os membros não têm todos a mesma origem. Existirá provavelmente sempre um pequeno número de versões (à data 55) em que os intérpretes permanecerão  com origem “desconhecida”.

Nalguns casos, é difícil de se atribuir uma nacionalidade a um intérprete. Tomemos dois nomes famosos: Dalida e Scott Walker. Dalida nasceu e cresceu no Egipto no seio de uma família italiana que posteriormente emigrou para França onde ela fez toda a sua carreira  artística. Apesar de ela cantar em várias línguas, incluindo o italiano, eu considero-a como francesa. Scott Walker, norte-americano de nascença e de formação artística, conheceu um sucesso enorme em toda a Europa para onde acabou por emigrar, mas para mim será sempre americano. Portanto, tentei dar mais importância à formação artística e cultural que ao lugar de nascença mencionado no Registo Civil, definindo assim uma espécie de « origem artística ».

E depois há os casos em que a nacionalidade ou origem do intérprete muda, não por sua vontade, mas porque o país onde ele vivia não existe mais ... Estou a pensar na agitação política na Europa de Leste após 1989. Neste caso, com vista a simplificar, levámos em conta a origem actual, e não encontrarão portanto, embora isso devesse ser levado a seu favor, as versões produzidas durante esses anos na Jugoslávia, Alemanha Oriental e Checoslováquia.

COMENTÁRIO

Hoje, os intérpretes Brel são originários de cerca de 70 países. Os países europeus estão quase todos representados. No entanto, podemos constatar que em todos os continentes o trabalho de Jacques Brel foi introduzido e desenvolvido de forma diferente. A origem da sua criação e as formas que tomou são variadas.

É absolutamente natural que a maioria relativa dos intérpretes de canções de Jacques Brel sejam de língua francesa. Baseio-me nos resultados e nas considerações relativas à língua em que as versões são cantadas. As canções de Brel não conheceram imediatamente uma  grande distribuição fora de França. Mesmo as canções mais famosas, tais como « Ne me quitte pas », « Amsterdam » e « A Canção dos velhos amantes » não foram hits internacionais. Portanto, elas não foram arrastadas por este fenómeno próprio dos anos 60, da tradução sistemática em várias línguas. As canções de Brel foram maioritariamente substituídas na francofonia por uma difusão de tipo comemorativo, mais amplo e mais contínuo no tempo, dada a descoberta de Brel noutros países. Este movimento de tradução está muitas vezes ligado, como vimos, ao sucesso tardio de uma canção ou à dedicação de um intérprete particular.

Os intérpretes de língua francesa alcançaram cerca de 20% de todas as versões conhecidas. E é principalmente através das suas interpretações que se pode perceber a evolução do estilo musical dos últimos 40 anos uma vez que eles mudaram gradualmente a abordagem à canção breliana. É necessário completar as versões de intérpretes franceses  com as dos intérpretes de outros países francófonos (ou seja, uma parte do Canadá e da Bélgica). Todavia ficamos longe do número de versões cantadas em francês e das quais foram excluídos o número de intérpretes de outras nações.

Em segundo lugar, há artistas originários dos Estados Unidos que, ao contrário dos intérpretes alemães de que falaremos a seguir, geralmente têm gravado algumas canções Brel. Os únicos que realmente dedicadaram um álbum inteiro são Rod McKuen, Scott Walker, Sheera Ben David e Amanda McBroom. Além disso, juntam-se naturalmente as várias edições do musical « Jacques Brel Is Alive and Well and Living in Paris ».

Isto depende do estilo particular com o qual os americanos têm desde o princípio adaptado as canções de Jacques Brel, com efeito,  desde do início tratam-se principalmente de adaptações num estilo crooner ou de soft-jazz. As primeiras interpretações importantes de Brel, devêmo-las a Sam Cooke, Nina Simone, Damita Jo e Frank Sinatra. Depois destes últimos terem aberto o caminho sabemos como os americanos se movem com facilidade nas vias já emprestadas. É por isso que canções como « If You Go Away » e « If We Only Have Love » se tornaram verdadeiros padrões, esta última em particular com lugar fixo nos álbuns e recitais de muitos grupos de inspiração cristã.

O terceiro lugar na classificação da origem vai para a Alemanha onde encontramos Klaus Hoffmann que, do alto das suas 86 versões, é o detentor do recorde absoluto desta classificação particular. Mas também existem muitos outros artistas cuja maioria dos quais são tanto cantores como actores: partindo de Marlene Dietrich, uma das primeiras a cantar em absoluto « Ne me quitte pas » noutro idioma, mas a primeira a cantar Brel em alemão, para chegar a Dominique Horwitz, Horcicka Dietmar e Heltau Michael. A ligação entre a Alemanha e as canções de Jacques Brel nasceu na década de 70, principalmente graças a Klaus Hoffmann, Michael Heltau e Gisela Mayo (que então vivia na Alemanha de Leste).

Mas a produção literalmente explodiu no anos de 1997 a 2002, quando vários artistas fizeram um álbum inteiramnete dedicado a outras canções de Brel: ainda Hoffmann e Mayo, em seguida, Dominique Horwitz, Dietmar Horcicka Jürgen Picard, Dirk Schäfer, Gottfried Schlögl Andreas Schneider, Jean-Claude Seferian, Gruppe Hörsturz ... Um fenómeno, não só quantitativamente, mas também qualitativamente importante, pois é nessa produção que se encontram algumas das melhores reintrepretações das canções de Brel.

Quando olhamos para a Holanda e para a Bélgica, é possível estabelecer um discurso comum em relação às afinidades linguísticas destes dois países, afinidades que também incluem as canções e a história de Jacques Brel. Podemos dizer que estes são países onde se encontra a herança breliana, tanto em quantidade como em qualidade, Alemanha inclusivé. De facto, numerosos artistas que fizeram álbuns completos, ou que, como Herman van Veen, salpicaram com canções de Jacques Brel toda a sua carreira artística. Trata-se também de artistas que, talvez mais do que todos os outros têm reinterpretado as canções em diferentes versões e línguas, ou nos seus múltiplos dialectos como o Limburger, o Frísio ou o valão, tornando desta forma sempre mais profunda e mais viva a memória de Jacques Brel.

 Na Itália, podemos enumerar uma série de versões, nomeadamente através da influência que Brel teve na inspiração de cantores dos anos 70. Encontramos, portanto, diferentes interpretações por parte de Giorgio Gaber, Bruno Lauzi, Herbert Pagani, Patty Pravo, sem esquecer o trabalho fundamental de Duilio Del Prete, também intérprete, nas traduções de textos.

 Após um longo período de esquecimento, nos anos 80 e uma grande parte da década de 90, houve também na Itália uma (tímida) redescoberta da obra de Brel. Isto marcou o início da publicação de alguns álbuns monográficos como os de Rossana Casale, de Renato Dibi e de Luca Faggella, embora com algumas excepções importantes, como Franco Battiato, tudo o resto  permanece confinado num certo círculo reservado aos amantes do género. A sua saída para o mercado musical é realmente muito difícil. Note-se, todavia, quantos intérpretes italianos têm, talvez mais do que quaisquer outros, cultivado e encontrado a alma popular das composições  de Jacques Brel, declinando numerosas versões em forma dialectal: bolonhês por Dino Sarti, genovês por Joe Sentieri até Walter Di Gemma que continua perpetuamente a lançar deliciosas versões em milanês das canções satíricas de Brel.

Os intérpretes de nacionalidade britânica têm uma abordagem muito semelhante à dos seus colegas norte-americanos, realizando de preferência uma única versão, que oscila geralmente entre o « Ne me quitte pas » e « A canção velhos dos amantes ». A esta prática  se têm consagrado alguns nomes muito familiares do show business britânico dos anos 60-70. Penso em Dusty Springfield, Tom Jones e Shirley Bassey. A principal excepção é provavelmente Marc Almond, que, no final dos anos 80, dedicou inteiramente uma produção sua a canções de Jacques Brel, actualizando algumas de maneira muito eficaz e arrebatadora como « Jackie ». Outra figura conhecida que cantou apenas duas canções, mas que  pela sua importância tem agido de forma significativa sobre a difusão do trabalho Brel ao longo do tempo, e com um certo tipo de público, é David Bowie. Todavia a sua interpretação magnífica de « A morte » tem inculcado em muitos espíritos a crença de que Brel foi um cantor melancólico e que « não podia sentir-se bem todos os dias, se não escrevesse uma canção sobre a morte » (extracto de um blog Inglês).

As versões dos nossos amigos do Japão são substanciais, mas estão praticamente confinadas aos clássicos, a saber, « Ne me quitte pas », « Quando não há mais que amor », « Amsterdam », « A canção dos velhos amantes » ou « Ver um amigo chorar ». Dois artistas japoneses dedicaram um álbum inteiro a Brel: Masato Iseki em 1979 e Hajime Ito em 1995. Estas versões  inscrevem-se num quadro de admiração japonesa, pelo menos entre aqueles com mais de 50 anos para quem a « canção francesa » rima com « canção de texto ». Perante as barreiras físicas ou linguísticas, é difícil avaliar o impacto de Brel no país do sol nascente, mas ainda é possível ....

CONTINUA…

Origem

Número de versões

France

1070

USA

546

Germany

507

Belgium

395

Netherlands

342

Italy

299

UK

269

Canada

238

Japan

215

Poland

120

Spain

109

South Africa

107

Austria

105

Sweden

101

Ireland

76

Finland

75

Israel

73

multiple 73
Russia

67

Brasil

46

Australia

39

Greece

38

Denmark

37

Croatia

34

Czech Republic

31

Switzerland

28

Norway

28

Argentina

19

Slovenia 18
Romania

15

Vietnam 13
Åland

13

Luxembourg

10

Turkey

10

Portugal

10

Mexico

8

Hungary

5

Ukraine

5

Iran 5
Philippines

5

Jamaica 4
Bosnia and Herzegovina

4

Haiti

3

Chile

3

Colombia

3

Cuba

3

New Zealand

3

Hong Kong

3

Serbia 2
Puerto Rico

2

Martinique

2

Malaysia 2
Lithuania 2
Iceland

2

China

2

Bulgaria

2

Algeria

2

Uruguay

1

Tunisia

1

Singapore 1
Dominican Republic

1

Madagascar

1

Jordan Jordan 1
India 1
Estonia 1
Costa Rica

1

Comoros

1

Cyprus 1
Cayman Islands

1

Taiwan  

 

Dino Gibertoni

Tradução em português - Sérgio Paixão - Fevereiro de 2010

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