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COMENTÁRIO
Hoje, os
intérpretes Brel são originários de cerca de 70
países. Os
países europeus estão quase todos representados. No entanto,
podemos constatar que em todos os continentes o trabalho de Jacques
Brel foi introduzido e desenvolvido de forma diferente. A origem da
sua criação e as formas que tomou são variadas.
É
absolutamente natural que a maioria relativa dos intérpretes de canções
de Jacques Brel sejam de língua
francesa. Baseio-me nos resultados e nas considerações
relativas à língua em que as versões são cantadas. As canções
de Brel não conheceram imediatamente uma
grande distribuição fora de França. Mesmo as canções
mais famosas, tais como « Ne me quitte pas », « Amsterdam »
e « A Canção dos velhos amantes » não foram hits
internacionais. Portanto,
elas não foram arrastadas por este fenómeno próprio dos anos 60,
da tradução sistemática em várias línguas. As canções de Brel
foram maioritariamente substituídas na francofonia por uma difusão
de tipo comemorativo, mais amplo e mais contínuo no tempo, dada a
descoberta de Brel noutros países. Este movimento de tradução está
muitas vezes ligado, como vimos, ao sucesso tardio de uma canção
ou à dedicação de um intérprete particular.
Os intérpretes
de língua francesa alcançaram cerca de 20% de todas as versões
conhecidas. E é principalmente através das suas interpretações
que se pode perceber a evolução do estilo musical dos últimos 40
anos uma vez que eles mudaram gradualmente a abordagem à canção
breliana. É necessário completar as versões de intérpretes
franceses com as dos
intérpretes de outros países francófonos (ou seja, uma parte do
Canadá e da Bélgica). Todavia ficamos longe do número de versões
cantadas em francês e das quais foram excluídos o número de intérpretes
de outras nações.
Em
segundo lugar, há artistas originários dos Estados Unidos que, ao contrário dos intérpretes alemães de que
falaremos a seguir, geralmente têm gravado algumas canções Brel.
Os únicos que realmente dedicadaram um álbum inteiro são Rod
McKuen, Scott Walker, Sheera Ben David e Amanda McBroom. Além disso,
juntam-se naturalmente as várias edições do musical « Jacques
Brel Is Alive and Well and Living in Paris ».
Isto depende
do estilo particular com o qual os americanos têm desde o princípio
adaptado as canções de Jacques Brel, com efeito, desde
do início tratam-se principalmente de adaptações num estilo crooner ou de soft-jazz. As primeiras interpretações importantes
de Brel, devêmo-las a Sam Cooke, Nina Simone, Damita Jo e Frank
Sinatra. Depois destes últimos terem aberto o caminho sabemos como
os americanos se movem com facilidade nas vias já emprestadas. É
por isso que canções como « If You Go Away » e
« If We Only Have Love » se tornaram verdadeiros padrões,
esta última em particular com lugar fixo nos álbuns e recitais de
muitos grupos de inspiração cristã.
O
terceiro lugar na classificação da origem vai para a Alemanha onde encontramos Klaus Hoffmann que, do alto das suas 86
versões, é o detentor do recorde absoluto desta classificação
particular. Mas também existem muitos outros artistas cuja maioria
dos quais são tanto cantores como actores: partindo de Marlene
Dietrich, uma das primeiras a cantar em absoluto « Ne me
quitte pas » noutro idioma, mas a primeira a cantar Brel em
alemão, para chegar a Dominique Horwitz, Horcicka Dietmar e Heltau
Michael. A ligação entre a Alemanha e as canções de Jacques Brel
nasceu na década de 70, principalmente graças a Klaus Hoffmann,
Michael Heltau e Gisela Mayo (que então vivia na Alemanha de
Leste).
Mas a
produção literalmente explodiu no anos de 1997 a 2002, quando vários
artistas fizeram um álbum inteiramnete dedicado a outras canções
de Brel: ainda Hoffmann e Mayo, em seguida, Dominique Horwitz,
Dietmar Horcicka Jürgen Picard, Dirk Schäfer, Gottfried Schlögl
Andreas Schneider, Jean-Claude Seferian, Gruppe Hörsturz ... Um fenómeno,
não só quantitativamente, mas também qualitativamente importante,
pois é nessa produção que se encontram algumas das melhores
reintrepretações das canções de Brel.
Quando
olhamos para a Holanda e
para a Bélgica, é possível
estabelecer um discurso comum em relação às afinidades linguísticas
destes dois países, afinidades que também incluem as canções e a
história de Jacques Brel. Podemos dizer que estes são países onde
se encontra a herança breliana, tanto em quantidade como em
qualidade, Alemanha inclusivé. De facto, numerosos artistas que
fizeram álbuns completos, ou que, como Herman van Veen, salpicaram
com canções de Jacques Brel toda a sua carreira artística.
Trata-se também de artistas que, talvez mais do que todos os outros
têm reinterpretado as canções em diferentes versões e línguas,
ou nos seus múltiplos dialectos como o Limburger, o Frísio ou o
valão, tornando desta forma sempre mais profunda e mais viva a memória
de Jacques Brel.
Na
Itália, podemos enumerar uma série de versões, nomeadamente através
da influência que Brel teve na inspiração de cantores dos anos
70. Encontramos, portanto, diferentes interpretações por parte de
Giorgio Gaber, Bruno Lauzi, Herbert Pagani, Patty Pravo, sem
esquecer o trabalho fundamental de Duilio Del Prete, também intérprete,
nas traduções de textos.
Após
um longo período de esquecimento, nos anos 80 e uma grande parte da
década de 90, houve também na Itália uma (tímida) redescoberta
da obra de Brel. Isto marcou o início da publicação de alguns álbuns
monográficos como os de Rossana Casale, de Renato Dibi e de Luca
Faggella, embora com algumas excepções importantes, como Franco
Battiato, tudo o resto permanece
confinado num certo círculo reservado aos amantes do género. A sua
saída para o mercado musical é realmente muito difícil. Note-se,
todavia, quantos intérpretes italianos têm, talvez mais do que
quaisquer outros, cultivado e encontrado a alma popular das composições
de Jacques Brel, declinando numerosas versões em forma
dialectal: bolonhês por Dino Sarti, genovês por Joe Sentieri até
Walter Di Gemma que continua perpetuamente a lançar deliciosas versões
em milanês das canções satíricas de Brel.
Os intérpretes
de nacionalidade britânica
têm uma abordagem muito semelhante à dos seus colegas
norte-americanos, realizando de preferência uma única versão, que
oscila geralmente entre o « Ne me quitte pas » e
« A canção velhos dos amantes ». A esta prática se
têm consagrado alguns nomes muito familiares do show business britânico
dos anos 60-70. Penso em Dusty Springfield, Tom Jones e Shirley
Bassey. A principal excepção é provavelmente Marc Almond, que, no
final dos anos 80, dedicou inteiramente uma produção sua a canções
de Jacques Brel, actualizando algumas de maneira muito eficaz e
arrebatadora como « Jackie ». Outra
figura conhecida que cantou apenas duas canções, mas que
pela sua importância tem agido de forma significativa sobre
a difusão do trabalho Brel ao longo do tempo, e com um certo tipo
de público, é David Bowie. Todavia a sua interpretação magnífica
de « A morte » tem inculcado em muitos espíritos a crença
de que Brel foi um cantor melancólico e que « não podia
sentir-se bem todos os dias, se não escrevesse uma canção sobre a
morte » (extracto de um blog Inglês).
As versões
dos nossos amigos do Japão
são substanciais, mas estão praticamente confinadas aos clássicos,
a saber, « Ne me quitte pas », « Quando não há
mais que amor », « Amsterdam », « A canção
dos velhos amantes » ou « Ver um amigo chorar ».
Dois artistas japoneses dedicaram um álbum inteiro a Brel: Masato
Iseki em 1979 e Hajime Ito em 1995. Estas versões inscrevem-se
num quadro de admiração japonesa, pelo menos entre aqueles com
mais de 50 anos para quem a « canção francesa » rima
com « canção de texto ». Perante as barreiras físicas
ou linguísticas, é difícil avaliar o impacto de Brel no país do
sol nascente, mas ainda é possível ....
CONTINUA…
|
|
Origem
|
Número de
versões
|
France |
1070
|
USA |
546
|
Germany |
507
|
Belgium |
395
|
Netherlands |
342
|
Italy |
299
|
UK |
269
|
Canada |
238
|
Japan |
215
|
Poland |
120
|
Spain |
109
|
South Africa |
107
|
Austria |
105
|
Sweden |
101
|
Ireland |
76
|
Finland |
75
|
Israel |
73
|
multiple |
73
|
Russia |
67
|
Brasil |
46
|
Australia |
39
|
Greece |
38
|
Denmark |
37
|
Croatia |
34
|
Czech Republic |
31
|
Switzerland |
28
|
Norway |
28
|
Argentina |
19
|
Slovenia |
18
|
Romania |
15
|
Vietnam |
13
|
Åland |
13
|
Luxembourg |
10
|
Turkey |
10
|
Portugal |
10
|
Mexico |
8
|
Hungary |
5
|
Ukraine |
5
|
Iran |
5
|
Philippines |
5
|
Jamaica |
4
|
Bosnia and Herzegovina |
4
|
Haiti |
3
|
Chile |
3
|
Colombia |
3
|
Cuba |
3
|
New Zealand |
3
|
Hong Kong |
3
|
Serbia |
2
|
Puerto Rico |
2
|
Martinique |
2
|
Malaysia |
2
|
Lithuania |
2
|
Iceland |
2
|
China |
2
|
Bulgaria |
2
|
Algeria |
2
|
Uruguay |
1
|
Tunisia |
1
|
Singapore |
1
|
Dominican Republic |
1
|
Madagascar |
1
|
Jordan |
1
|
India |
1
|
Estonia |
1
|
Costa Rica |
1
|
Comoros |
1
|
Cyprus |
1
|
Cayman Islands |
1
|
Taiwan |
|
|