JACQUES BREL

Biografia

Discografia

Filmografia

Bibliografia

Citações

Canções

Guia de escuta

Eles falam de Brel

 

VERSÕES

Porquê ?

Por canção

Por intérprete

Lista de intérpretes

Total por ano

Total por idioma

Total por origem

Adaptações

Entrevistas

Actualidades

Postos em dia

 

Procurar no site :

 

Página posta em dia em 20.06.2010

 


creation de site

 
Dino - Rodolphe - J. Ramón

©2006-2010 Dino Gibertoni, Rodolphe Guillo, José Ramon San Juan & Sérgio Paixão

A criação e os conteúdos deste site, onde não especificado, são de  Dino Gibertoni & Rodolphe Guillo. Todos os conteúdos podem ser livremente utilizados desde que  indiquem obrigatoriamente a sua fonte.

 

Nesta página podemos encontrar um resumo estatístico das versões das canções de Jacques Brel pela língua em que foram reinterpretadas. Uma vez que não temos no banco de dados todas as canções que foram gravadas, resta um número,96 à data de hoje, de canções para as quais não podemos determinar, com segurança, o idioma sobre a única base informações que foram recolhidas.

Este número de qualquer maneira é pequeno comparado ao número do banco de dados e não afecta a precisão dos comentários que podemos ler abaixo.

COMENTÁRIO

Um estudo da distribuição de canções de Jacques Brel segundo a língua em que foram reinterpretadas é importante para compreender o grau de universalidade obtido ao longo dos anos pelo trabalho do nosso grande autor belga. Na verdade, a tradução para uma língua diferente da original implica a vontade de chegar a um público mais amplo, e não francês, a que é dado o direito e a oportunidade de conhecer e apreciar as canções de Jacques Brel.

Isto é obviamente muito importante, porque sabemos que o sucesso das canções de Brel depende, em igual medida, da beleza da música e do texto. Compartilhar textos de poesia por uma audiência de sensibilidade e culturas diversas sobre todo o planeta é uma operação que, mesmo realizada inicialmente com um inequívoco propósito comercial, é de grande valor artístico e cultural.

Esta afirmação é confirmada pelo facto de, tanto quanto me é dado a entender, a maior parte das traduções é certamente fiel ao texto original. Obviamente eu não posso falar sobre línguas particularmente difíceis como a finlandesa ou hebraica, mas acho que isso é verdade para a maioria das línguas conhecidas e faladas como o Inglês, o Espanhol, o Alemão e o Italiano. Entretanto, algumas traduções em Inglês de Rod McKuen, que eu considero como realmente trágicas, reuniram uma série de enormes sucessos comerciais (benéfico para ele) como “Seasons In The Sun”. No entanto,  o seu significado e qualidade artística está muito longe do original de Jacques Brel.

Se percorrermos a lista de línguas nas quais são cantadas as versões de Brel, vemos em primeiro lugar, que estamos perante versões de canções em 39 idiomas diferentes, além das versões instrumentais e vocais. Escusado será dizer que a linguagem mais utilizado é o francês. O número de versões cantada nesta língua é predominante uma vez se adicionam as versões dos intérpretes Francófonos. Isto demonstra que muitos artistas de outros países preferiram cantar de novo as canções no texto original, sem dúvida, para expressar o respeito pela composição e a métrica de Brel. Em alguns casos, o intérprete assume o risco de mostrar o seu imperfeito domínio da pronúncia francesa, mas isto é frequentemente compensado por uma grande fidelidade ao original, não só no texto, mas também na emoção.

Sem surpresa, o maior número de traduções é em Inglês: língua “mundial” por excelência. Seguem-se depois três línguas europeias dos países que fazem fronteira com a França e, portanto, culturalmente próximos: o alemão, holandês e italiano. Se é compreensível que muitas vezes são em holandês, a língua falada na Holanda e na parte flamenga da Bélgica, em que Brel reinterpretou algumas de suas canções, fiquei realmente surpreso com o sucesso que a música de Brel teve na Alemanha e na Áustria. Ainda hoje ela está viva com intérpretes como Klaus Hoffmann (detentor do recorde absoluto das versões: cerca de 78), Michael Heltau e Maria Bill.

No que respeita à Itália, o tempo é que faz a diferença: Brel teve um grande sucesso nos anos 70, mas agora é pouco conhecido e o seu legado é mais usado por cantores confidenciais. Entretanto na Alemanha, em 2006, foi lançada uma compilação intitulada “Superstars singen Brel” (Superstars cantam Brel).

Nesta classificação, após o italiano, há algumas línguas “exóticas” como o polaco (cerca de 81 canções traduzidas), sueco, finlandês e hebraico. Nas últimas três línguas, acho que foi a realização de um musical, inspirado no “Jacques Brel Is Alive and Well and Living in Paris” traduzido para a língua local, mas que foi de fundamental importância para colocar num plano mais popular a música de Brel.

Um número muito significante de versões é as que foram feitas na forma instrumental, o que elimina o poder do texto para exaltar a beleza da melodia: tratam-se de peças, na maioria das vezes realizadas de forma jazziística  ou clássica, mas também com versões orquestradas com acordeão em primeiro plano como instrumento solista. Assim sendo, somos confrontados com mais uma demonstração desta união de culturas,”sofisticado” e “popular” que Brel foi capaz de fazer com o seu trabalho. Uma demonstração que mostra ainda mais claramente, e com a qual eu acredito, a prova principal desta classificação por idioma: a forte presença das línguas regionais (catalão, frísio, corsa ...) quando não dialectos, sobretudo italianos.

Há cerca de 13 dessas línguas diferentes e vários dialectos. Para mim isso tem um significado muito específico: a música e as letras das canções de Jacques Brel são, pela sua natureza intrínseca, destinadas a um público popular: tanto a música como os textos têm uma simplicidade que proporcionam prazer a um público mais amplo, em alguns casos o texto pode vir mesmo e incentivar o uso das línguas vernáculas.

 

Dino Gibertoni

Tradução em português - Sérgio Paixão - Fevereiro de 2010

TOPO