JACQUES BREL

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Página posta em dia em 20.06.2010

 


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Nesta página podemos analisar o resumo estatístico das versões das canções de Jacques Brel segundo o ano em que foram publicadas. Não tendo todas as canções incluídas na base de dados, há um certo número do qual não sabemos o ano de lançamento (actualmente 298). Naturalmente, o número de dados em falta não é insignificante em termos absolutos, mas representa menos de 10% do número total de canções recenseadas por nós.

COMENTÁRIO

Se contarmos o número de versões segundo o ano, damos rapidamente conta de um elemento que pode distorcer as nossas considerações: a enorme diferença entre as versões gravadas nos últimos 10 anos e as versões gravadas antes de 1995.

O que se constata tem a ver certamente com a grande produção nos últimos anos, mas também pode ter como origem a grande dificuldade na descoberta de informações sobre gravações efectuadas há 30 ou 40 anos. Esta segunda possibilidade pode também dividir-se em outras duas componentes: a dificuldade fundamental na busca de informações sobre canções já existentes, mas cujo rasto se perdeu, e a dificuldade de se conhecer realmente o ano de publicação da gravação, já que essa informação não está muitas vezes disponível nos discos.

A minha intuição é que, se nos últimos 10 anos, consegui reunir uma grande parte de versões realmente existentes, no que toca aos anos 60 e 70, há, de certeza, ainda mais para descobrir. Eu acho que sim, porque de vez em quando vou encontrar no Ebay ou noutros revendedores de discos usados alguns Singles ou EP de cantores que não conseguiram um sucesso duradouro, e para os quais é impensável uma reedição dos seus discos e, portanto, não é possível obter informações mínimas nas páginas da Web de amantes da música.

A única maneira de descobrir-se é vasculhar nos alfarrabistas, on line ou na cidade, e é, portanto, uma tarefa teoricamente sem fim!

Não sendo possível inventar o que não conheço, proponho um pequeno esboço de interpretação da tabela numérica aqui ao lado.

Eu diria que se pode notar, no entanto, que até meados dos anos 60, as versões estão quase todas em francês. Então o mundo da música era menos “globalizado” ou talvez, melhor dizendo, as exportações nesta área eram unidireccionais, da E.U.A. para o mundo, uma vez que o Rock'n Roll dominava.

Felizmente, os Beatles, os Stones e outros, deram vida à “Invasão Britânica” , constituindo uma ruptura de quinze anos, incluindo o período de New Wave. Durante esse tempo, a música era bipolar. Parece oportuno salientar que a primeira versão em Inglês que eu conheço é nem mais nem menos do grande Sam Cooke, que em 1960 incluiu uma bela versão soul de “Quand on n’a que  l’amour” sob o título “I Belong To Your Heart”, de que não encontrei, posteriormente, outras versões com esta tradução. A primeira tradução para outra língua de “Ne me quitte pas” é, ao contrário, um  trabalho de Gino Paoli, que fielmente a traduziu para italiano em 1962, sob o título “Non andare via”.

No final dos anos 60 e início dos anos 70, observamos o início de um primeiro e ligeiro aumento no número de versões, como resultado da primeira edição do musical “Jacques Brel Is Alive and Well and Living Em Paris”, mas também o interesse que Brel despertou entre os cantores da época: os italianos (Lauzi, Gaber, Pagani), os americanos ligados à  Folk music e ao pacifismo (Baez, Collins) e os Anglo-americanos graças à primeira e ampla divulgação de “Ne me quitte pas” (Damita Jo, Frank Sinatra, Tom Jones). É também a consequência do trabalho de adaptação (o que considero como negativo, no entanto), realizado por Rod McKuen e o fascínio rápido de Scott Walker, o primeiro grande autor de culto profundamente influenciado por Jacques Brel.

A figura do Scott Walker é emblemática para a compreensão do processo de divulgação e conhecimento da obra de Brel. Esta difusão, com excepção da França, foi iniciada sobretudo graças aos seus “mensageiros”. Note-se que a inspiração gerada por Walker a pessoas como David Bowie e Marc Almond foi também o instrumento pelo qual eles se viram forçados a venerar Brel tendo-lhe dedicado mais de uma interpretação. O outro factor importante de conhecimento foi o sucesso da divulgação em vários países ao redor do mundo, não só anglófono, do musical já mencionado, contendo trinta canções traduzidas para o Inglês por Mort Shuman e Eric Blau.

Em 1974, um número muito elevado de versões produzidas emerge, resultado da conjugação de dois fatcores: o lançamento de dois álbuns a partir de duas diferentes montagens do musical Jacques Brel is Alive... e o sucesso global de Seasons in the Sun, que foi número 1 das listas de vendas dos E.U. , por Terry Jacks e imediatamente regravadas por metade do mundo. Seguiu-se um longo período de refluxo entre meados dos anos 70 e início dos anos 90 (período que se distingue efectivamente  pela onda realmente Punk e New Wave, que rejeitava todas as músicas “retro” e a canção de autor).

Mas é a partir de 1995 que se revela um verdadeiro crescimento na produção de homenagens a Jacques Brel, certamente ajudado pelas celebrações mais amplas que tiveram lugar em 1998 e 2003, respectivamente, para recordar os vinte e os vinte e cinco anos do desaparecimento de Brel. 

Desde 1997, mais de 130 versões das suas músicas foram produzidas em cada ano. Estes versões estão comprovados mas há, provavelmente, ainda outras que não temos conhecimento: parece-me que, de uma maneira geral, este será o exemplo mais revelador da importância incrível de Brel na música de hoje.

 

Dino Gibertoni

Tradução em português - Sérgio Paixão - Janeiro de 2010

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