JACQUES BREL

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Página posta em dia em 31.12.2009

 

 

 
Dino - Rodolphe - J. Ramón

©2006-2010 Dino Gibertoni, Rodolphe Guillo, José Ramon San Juan & Sérgio Paixão

A criação e os conteúdos deste site, onde não especificado, são de  Dino Gibertoni & Rodolphe Guillo. Todos os conteúdos podem ser livremente utilizados desde que  indiquem obrigatoriamente a sua fonte.

PORQUÊ AS VERSÕES DE JACQUES BREL ?

Há já 30 anos que escuto música, sobretudo com paixão mas também com um pouco de discernimento, somente estético, partindo do princípio que não sei tocar qualquer instrumento. Depois de todos estes anos de escuta e de procura de vários géneros musicais, posso afirmar que o meu ponto de referência, a minha estrela polar, é Jacques Brel. É ele que, mais que todos os outros, conseguiu falar ao meu coração, à minha cabeça e às minhas entranhas, embora para  muitos ele possa parecer desactualizado e antiquado. No fundo falo de música que surgiu entre 30 e 60 anos (o último disco de Brel é de 1977 e as primeiras gravações remontam a 1953)

Com efeito, é muito difícil hoje, pelo menos na Itália, ter a possibilidade de escutar Brel, a não ser por acaso na rádio ou na televisão. Pela minha parte, tive a oportunidade e a intuição de pedir emprestados dois CD à biblioteca da Sala Borsa de Bolonha. Foram eles que, em 2002,  marcaram a minha primeira abordagem à  música de Brel. Claro que não foi fácil porque o meu ouvido teve que se acostumar a uma música que para um italiano dos anos 2000 não está habituado a ouvir e, acima de tudo, cantada em francês, língua que eu conhecia pouco na altura. Mas bastaram-me apenas quatro ou cinco canções, que imediatamente eu considerei belas, para me envolver  e deixar-me apaixonar, de escuta em escuta, pelo mundo artístico do Grand Jacques.

Em suma, o coração oprime-se porque exprime sentimentos fortes e misturados : paixão e ternura, raiva e doçura, insultos e compreensão, sempre e ainda manifestados com o coração aberto, sem compromisso ou bajulação. Por outro lado, e naturalmente, há a extrema beleza das suas melodias, onde  algumas  para usar um termo forte, já se tornaram imortais.

Em suma, sua música me toca o coração porque exprime sentimentos fortes e contrastantes : paixão e ternura, raiva e doçura, insultos e compreensão, manifestados sempre com o coração aberto, sem compromisso ou bajulação. Por outro lado, e naturalmente, há a extrema beleza de suas melodias, das quais algumas, para usar um termo forte, ja se tornaram imortais.

O traço característico que estabelece o percurso humano e artístico de  Brel é a absoluta liberdade de pensamento e acção. Esta liberdade levou-o primeiro, em 1952, a partir de Bruxelas para Paris, deixando sua família e um emprego garantido na empresa familiar, para começar uma carreira difícil no mundo da música. Depois, em 1966, no auge do sucesso, essa liberdade levou-o a abandonar o palco para se dedicar ao compromisso artístico que o envolveu não apenas na música, mas também no teatro e no cinema, como actor ou como realizador. Finalmente, em 1974, retirou-se para as Ilhas Marquesas, para marcar a sua recusa definitiva do mundo do show business e virar-se para uma dimensão existencial mais simples de reflexão pessoal e de serviço aos outros.

De tudo isto, restam-nos, de um ponto de vista musical, mais de 150 canções, que existem nas suas versões originais ou ao vivo (que são muitas vezes mais interessantes porque Brel dava o melhor de si mesmo no palco), mas também em versões de outros artistas que as reinterpretam continuamente nos quatro cantos do globo. Escutar estas versões é, acima de tudo, compreender o quanto é alargada, em termos geográficos, a influência exercida por Brel em diferentes gerações de músicos. Basta pensar em nomes como Giorgio Gaber importante em Itália, ou Scott Walker, David Bowie, Marc Almond no mundo anglófono, ou mesmo Noir Désir, na França. Também podemos perceber o quão profunda foi a popularidade das suas canções como o testemunham os vários idiomas em que foram traduzidas. Entre estes, há muitos idiomas regionais: Milanês, Génovês, Bolonhês,  Alsaciano, Frísio, Corso, Provençal, Galego, Romano ...

Mas não há apenas o aspecto gratificante e de auto-estima que resulta da descoberta desses milhares de artistas que prestam homenagem ao seu « ídolo » através do mundo. Num plano mais objectivo, escutar uma canção  arranjada e cantada de dezenas de maneiras diferentes permite, através da variedade de estilos de interpretação, chegar ao âmago da sua verdadeira essência  musical e lírica. E creio que para um apaixonado é uma coisa extremamente agradável.

Uma vez mergulhado nesse mundo de reinterpretações de Brel e ter percebido a sua extensão, resolvi então coleccionar igualmente as ditas versões, ou pelo menos recenseá-las, dado que há discos que não se encontram hoje  facilmente.  Nos nossos dias, felizmente, temos a Internet que é uma fonte extraordinária para realizar esse tipo procura. Basta somente ter tempo para  agarrar esta imensa tarefa. Pessoalmente, entre 2005 e 2006, tive bastante tempo e utilizei-o em boa parte  para construir uma base de dados com as versões e, de seguida, a criação deste site. Se somarmos a tudo isto o meu desejo de dar uma contribuição, por pequena que seja, para a redescoberta de Jacques Brel em Itália, está explicada esta busca desenfreada, muito breliana, em que estou envolvido.


METODOLOGIA

A minha definição de versão é a seguinte : Uma versão é uma interpretação de uma canção diferente da original e que tem uma publicação discográfica comercial oficial.

Para me explicar  com mais clareza, aqui estão algumas das regras às quais estou ligado :

  • Consideram-se como versões as diversas  gravações em estúdio ou  ao vivo realizadas por um mesmo intérprete da mesma canção, o que significa que se, por exemplo, existirem 15 gravações « ao vivo » diferentes de MY DEATH, interpretadas por David Bowie, publicadas em LP’s ou CD’s oficiais, serão consideradas 15 versões diferentes ;

  • Não são versões excertos contidos seja em gravações piratas de concertos seja  em « remixes » de música (« bootlegs »);

  • Não são consideradas versões as sequências de programas televisionados do tipo « Music Farm », « Star Academy » e similares, onde as interpretações são unicamente realizadas para uso e consumo televisivo, salvo se estiverem incluídas em disco ;

  • Não são versões os videos que se encontram hoje muito facilmente na Rede, gravados em « shows » ou feitos em casa ;

  • Evidentemente que também não são consideradas versões, diferentes repetições da mesma canção, em compilações ou edições sucessivas ou reedições do disco original (ainda que hoje o banco de dados que estamos desenvolvendo visa manter o controle destas repetições - veja nota acima) ;

  • Mesmo que não tenham aparecido sobre suporte físico discográfico, são efectivamente consideradas como versões, as obras publicadas na Web e telecarregáveis gratuitamente uma vez que as mesmas foram la publicadas pelos seus autores ou distribuidores. Considero que, neste caso, há uma oferta a título gracioso na Web que é o canal de distribuição expressamente escolhido pelo autor.

 

EVOLUÇÃO DO SITE

Em 2009 uma importante reestruturação do banco de dados começou. Estas alterações aparecem lentamente sobre as janelas do site. As principais mudanças são:

  • a criação, na sua terminologia inglesa e francesa da classificação, a norma ISO 3166-1 para o idioma e origem dos intérpretes (o que não corresponde estritamente à nacionalidade, uma vez que essa classificação inclui os territórios que têm autonomia administrativa, por exemplo: Martinica);

  • a notificação dos vários álbuns que contêm a mesma versão. Neste caso, na coluna « Disco », podemos encontrar indicado o álbum original e logo a seguir , separados pelo símbolo >, os álbuns sucessivos.

  • a classificação em estrita ordem alfabética dos títulos das músicas originais de Brel, portanto, não precedido de um eventual artigo definido ou indefinido.

A actualização integral das tabelas demorará algum tempo também. Durante este período coexistirão as informações codificadas de acordo com os antigos critérios e os novos.

AGRADECIMENTOS

Posso afirmar sem medo de me contradizer que até agora este site é a mais completa fonte de informações sobre esta parte infinitesimal do conhecimento humano que são as canções e as versões de Brel. Este é o resultado de uma recolha contínua que desenvolvi com base em informações publicadas na Internet, em particular, com proveniência de três tipos de fontes:

  • as bases de dados musicais existentes na Web, nomeadamente a página da Wikipédia néerlandais  dedicada às versões de Jacques Brel, Gracenote e freeDB.org ;

  • os sites de leilão como o Ebay e outros sites de comércio electrónico;

  • a contribuição dos amigos apaixonados e coleccionadores de Jacques Brel.

É sobretudo graças a estes amigos, conhecidos na Rede que têm o seu site em linha, que a base de dados de versões de Brel se tornou assim tão rica. E o mais importante é que o meu trabalho de busca passou de um trabalho solitário a um trabalho colectivo desprovido de qualquer rivalidade. Ao contrário, ele é inspirado por um simpático e solidário espírito de partilha que me dá ainda a  motivação para ir mais adiante.

Em primeiríssimo lugar, quero agradecer a Rodolphe Guillo pelo seu conhecimento muito profundo e « desencantado » da vida e obra de Brel onde me alimento no decorrer de longas discussões nocturnas na Internet. Rodolphe  efectua desde 1998 uma pesquisa meticulosa e apaixonada, construindo antes de mim o seu site Jacques Brel - Autrement dit, que põe um acento particular sobre os diferentes idiomas nos quais foram traduzidas e cantadas as canções originais de Brel. O seu site tem sido uma das principais fonte  de enriquecimento da minha base de dados, e visto a  amizade que nos une agora, os nossos sites são complementares e actualizados em paralelo para não haver diferença no conteúdo.

Os outros amigos reunidos pela mesma paixão por Jacques Brel e com os quais se criou ao longo do tempo uma pequena comunidade Web são o infatigável Omar El Maizi, José Fernandes e Bibi Frikotin, o especialista  de « Ne me quitte pas ». Além de manter essas conversas amigáveis com esses amigos, eu recebo continuamente informações sobre novas publicações que são adicionados à base de dados. Relatórios menos frequentes, mas muito interessantes são aqueles mantidos com Meray, Xircus Max Deleury e Ania Korzeniowska.

Por fim, a minha gratidão vai também para estes intérpretes que, com uma grande gentileza, têm pessoalmente fornecido informações e material sonoro : Denis Berejnoï, Srðan Depolo, Anton Montagne, Peter Ostrowski, Kenneth Lundman du Francis Goossens Band e ainda a equipa do Aalborg Teater.

 

Dino Gibertoni

Tradução em português - Sérgio Paixão - Dezembro de 2009

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