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Naturalmente, Jacques Brel é sobretudo conhecido pela sua extraordinária carreira de cantor, mas é preciso não esquecer que entre 1967 e 1977 o seu compromisso artístico foi essencialmente consagrado ao cinema. Durante este período ele revelou-se um actor de bom nível – coisa que, de resto, era fácil de prever depois de assistirmos às interpretações cénicas que ele desempenhava em cada canção em cima de um palco – e um realizador dotado e de uma notável sensibilidade. Portanto, esta carreira cinematográfica durou poucos anos. Com efeito, a ambição de Brel, que era sobretudo tornar-se realizador, foi logo arrasada pela crítica feroz que caiu sobre o seu segundo filme, FAR WEST, e sobre o seu realizador. Entristecido com a incompreensão dos críticos e do público contra aquela que seria, provavelmente, a sua obra mais pessoal das que realizou, Brel pôs um travão na sua carreira artística. Contrariamente a 1967, quando abandonou a cena para se dedicar a outras formas de arte, esta foi uma retirada real para a privacidade. Para fugir para o mais longe possível do ambiente que o tinha rejeitado drasticamente, Brel mete-se na aventura de dar a volta ao mundo em barco à vela – no Askoy que ele comprara para esse efeito – e que o levará até às ilhas Marquesas, donde só regressará à Europa ocasionalmente. Dum simples ponto de vista biográfico e artístico, o período em que Brel se dedica ao cinema é, no entanto, significativo. Com efeito, este período representa, com excepção para o álbum BREL de 1977, a última expressão da sua vida artística. Ao todo Brel realizou dois filmes, onde também foi argumentista, e foi actor em treze. Nestes treze estão os que ele realizou mais duas curtas metragens produzidas em 1952 e 1962, na altura em que ele era simplesmente cantor. Brel fez a sua última aparição no ecran aquando da versão cinematográfca da comédia musical "Jacques Brel Is Alive and Well and Living In Paris" onde ele aparece numa cena a cantar "Ne me quitte pas" sentado num bar.
Temos a certeza de que todos os que visitam este site sabem que as canções de Brel geram emoções. Ora, os realizadores e produtores também o sabiam quando inseriam excertos das suas canções dentro de um filme no momento onde, segundo eles, essa canção criaria uma emoção particular nos espectadores. E naturalmente, o efeito é conseguido.
Para nossa satisfação, Jacques Brel viveu durante um período em que, e mais particularmente em França, o surgimento da televisão e do cinema levou à realização de numerosos documentários, de gravações de espectáculos ao vivo e de transmissões em directo, preconfigurando, para o grande público, o fenómeno que estava a nascer e chamado de comunicação de massas. As extraordinárias exibições em público e a grande personalidade de Brel certamente não poderiam passar despercebidas. Assim, ainda hoje, temos numerosos registos de concertos, programas de televisão e entrevistas, publicadas sucessiva e proporcionalmente conforme as técnicas de gravação foram evoluindo : Filme, Cassetes de vídeo e DVD. Além de que, como todas as grandes personagens das artes e dos espectáculos, não nos faltam reconstruções da sua vida e da sua carreira constantemente renovadas e propostas a cada aniversário e isto em muitos países onde a reputação de Brel deixou uma marca. Tratam-se de emissões ou de documentos realizados para a televisão nas quais aparecem, além de excertos do seu reportório (concertos e entrevistas), contribuições de outros artistas ou de personagens famosas que contam como Brel os influenciou no seu percurso artístico. Esta oferta contínua de documentos com testemunhos sempre novos não é mais do que a enésima demonstração da actualidade e importância do pensamento e da obra de Jacques Brel. E sobretudo dá a possibilidade de continuar a admirá-lo em actividade como se ele estivesse a percorrer o mundo de teatro em teatro e a agitar os nossos neurónios com as suas afirmações e as suas confidências desarmantes.
Dino Gibertoni FILMES
1. Franz (1971) 2. Le Far West (1973)
1. La grande peur de Monsieur Clément (1956) - Paul Diebens 2. Petit-jour (1962) - Jacques Pierre 3. Les risques du métier (1967) - André Cayatte 4. La Bande à Bonnot (1968) - Philippe Fourastié 5. Mon oncle Benjamin (1969) - Édouard Molinaro 6. Mont-Dragon (1970) - Jean Valère 7. Franz (1971) - Jacques Brel 8. Les assassins de l'ordre (1971) - Marcel Carné 9. L'aventure, c'est l'aventure (1972) - Claude Lelouch 10. Le bar de la Fourche (1972) - Alain Levent 11. Le Far West (1973) - Jacques Brel 12. L'emmerdeur (1973) - Édouard Molinaro 13. Jacques Brel is alive and well and living in Paris (1975) - Denis Héroux
DVD OU PROGRAMAS DE TELEVISÃO
1. Comme quand on était beau (2003) 2. Les adieux à l'Olympia (1973) 3. Brel no porto da Horta - RTP Açores (1999) 4. Brel Knokke (2003) 5. Live in Bergen 6. Quinze années d'amour (2003)
2. Radioscopie - Jacques Chancel (1973) 3. Jacques Brel - Nous les artiste (1979) - Catherine Dupuis 4. Brel (1982) - Frédéric Rossif 5. Brel - Un cri (1985) - Christian Mesnil 6. Askoy II: le voilier de Jacques Brel (1994) - Claude Val 7. Jacques Brel (1998) - Claude Fléouter e Jacques Pessis 8. Une scène de vie (2003) Arte 9. Jacques Brel légende (2005) France 3 10. Legends : Jacques Brel (2007) BBC Four 11. Brel - Brassens - Ferré - Trois hommes sur la photo (2008) - Sandrine Dumarais 12. Brel, Roubaix, je reviens (2008) - Luc Hossepied e David Descatoire
1. "Je vous ai apporté des chansons" apresentada por Eve Ruggieri (10 de outubro de 1998) France 2 2. Jacques Brel - Le droit de rêver apresentada por Michel Drucker (27 de setembro de 2003) France 2
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